Página de Filosofia da Escola Secundária de São João do Estoril |
17 de Julho de 2008 |
ADOPTADO NOVO MANUAL DE FILOSOFIA PARA O 11º ANO |
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Na Escola Secundária de São João do Estoril foi adoptado, para vigorar nos próximos 6 anos, o manual de Filosofia para o 11º Ano do Dr. Luis Rodrigues, da Plátano Editora. Com esta excepção, mantêm-se em vigor todos os outros manuais, quer para as disciplinas de Psicologia A e B, quer para o 10ºAno de Filosofia, em que se mantem o manual "Pensar Azul" da Texto Editores. Chama-se a atenção dos alunos e respectivos encarregados de educação de que devem procurar adquirir os manuais logo que se encontrem disponiveis nas livrarias de modo a que todos os alunos tenham os manuais atempadamente. |
A FILOSOFIA E OS EXAMES |
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O Assassinato da Filosofia Maria Luísa Guerra Público, 28 de Junho de 2008 |
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Vai realizar-se no próximo mês de Julho, em Seul, na Coreia, o congresso Mundial da Filosofia, organizado pelo FISF, organismo que concentra as sociedades de professores de Filosofia do ensino secundário e do ensino universitário de todo o mundo. Tem a marca da globalização. É um encontro das tradições pedagógicas, de reflexão sobre a natureza e o papel da Filosofia na sociedade. Mostra o interesse dos vários países pelo problema. Mostra o que é evidente: o carácter vivo e actuante da Filosofia. O seu lugar insofismável na formação da mentalidade. Assim acontece no mundo. |
Sabe-se que a finalidade do estudo de qualquer disciplina não é o exame. Mas também se sabe que, na prática, se não houver exame, os alunos não se interessam. Não estudam convenientemente. Residual em vias de extinção a Filosofia de 12ºano. Obrigatória no 10º e 11º anos mas não sujeita a exame nacional. “ Para que serve?” pensam os alunos. É uma disciplina decorativa. Sem importância. Morta à nascença. Ainda se rege Filosofia na Universidade nalguns cursos, cada vez mais despovoados. Com este vazio no ensino, acabará de vez. |
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O sucesso escolar não é gratuito. Depende de currículos apropriados, mas depende sobretudo de cabeças bem-feitas, treinadas numa apurada e progressiva ginástica mental, no exercício da abstracção, da comparação, do dissecar analítico. Esse exercício cabe especificamente à Filosofia. No limite, pela depuração que exige e supõe, aproxima-se da Matemática. Não é por acaso que grandes filósofos de referência (de Pitágoras a Descartes, de Leibniz a Russell) foram matemáticos. Tirar aos jovens esta ginástica mental é criar o caos. Multiplica-se no mundo a presença e o interesse pela Filosofia. Em iniciativas globais. De Paris a… Seul. Em Portugal desvaloriza-se até à morte. Original. Maria Luísa Guerra |
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Ensino Elitista Desidério Murcho Público, 15 de Julho de 2008 |
O ensino público português não está a cumprir o seu papel social de dar oportunidades aos estudantes oriundos de famílias culturalmente carenciadas. Isto acontece porque as políticas do Ministério da Educação têm tido o efeito de dificultar cada vez mais a aprendizagem desses estudantes. Vejamos porquê. |
Ao eliminar as disciplinas centrais das áreas académicas que constituem o legado da humanidade, substituindo-as por vacuidades escolares que visam aparentemente a integração social ou a educação para a cidadania, a escola pública faz o oposto: não permite que um estudante culturalmente carenciado possa tornar-se um cidadão pleno, porque não lhe dá as competências cognitivas relevantes, nem lhe ensina os conteúdos sem os quais só poderá ser um consumidor passivo da Coca-Cola, telenovelas e futebol. |
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Ao tornar os exames cada vez mais fáceis, a escola pública prejudica exclusivamente os estudantes mais carenciados, pois está a dizer-lhes que não precisam de estrudar, ao mesmo tempo que aprofunda o fosso entre eles e os mais privilegiados, pois estes estudam em qualquer caso, com exames fáceis ou difíceis. O Ministério da Educação não consegue persuadir os estudantes mais carenciados do valor intrínseco do conhecimento, do estudo e da escola, porque considera que estes estudantes não têm capacidade cognitiva para valorizar tais coisas. Mas qualquer agência de publicidade conhece as técnicas básicas para criar nas pessoas apetência pelo que elas antes não valorizavam. Proponho por isso que se substitua o Ministério da Educação por uma agência de publicidade. Se é possível convencer os estudantes mais carenciados a valorizar inanidades como a Coca-Cola, os ténis Nike e os bonés americanos de basebol, tanto mais fácil será ensinar-lhes a valorizar o que realmente tem valor intrínseco: o legado cognitivo da humanidade, codificado em coisas como a matemática, a física ou a história. Desidério Murcho Universidade Federal de Ouro Preto |
Quando o Conselho Nacional de Educação apreciou o Decreto-Lei nº 74/2004, que aprovou os planos curriculares do ensino secundário, que se encontram em vigor, onde inicialmente se previa a realização de exames nacionais nos anos terminais de cinco disciplinas, entre as quais a Filosofia, o seu parecer foi o de que a limitação dos exames apenas a essas disciplinas, embora centrais, poderia dar origem a uma discriminação perniciosa que valorizaria de maneira diferente as disciplinas com e sem exame nacional, perguntando-se por que razão o exame não era extensível a todas as restantes disciplinas do currículo. |
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Dois anos depois, quando o actual governo anunciou a sua intenção de eliminar os exames de Português e de Filosofia, mantendo apenas os das "disciplinas estruturantes" (específicas), e reduzindo assim para três o número de exames nacionais do ensino secundário, o parecer do mesmo órgão, após um primeiro projecto de parecer que aprovava a intenção governamental (O tempora! O mores!), sob pressão da opinião pública e por iniciativa de um grupo de conselheiros "rebeldes", foi no sentido da manutenção do exame de Português, embora sacrificando o exame de Filosofia. Assim, depois de dois anos de transição em que o exame da disciplina se realizou, a título opcional e apenas para efeitos de prova de ingresso no ensino superior, o corrente ano lectivo foi o primeiro em que não houve exame de Filosofia. A seu tempo as organizações representativas da disciplina, a Associação de Professores de Filosofia e a Sociedade Portuguesa de Filosofia, expressaram o seu protesto contra a eliminação do exame nacional, no que foram apoiados por um número muito significativo de professores da disciplina. Nomeadamente, na nossa Escola, foram aprovadas, em tempos distintos, duas moções cujo conteúdo aproveitamos para recordar. |
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Moção aprovada em Dezembro de 2005 pelos professores de filosofia da Escola Secundária de João do Estoril contra a eliminação dos exames nacionais da disciplina. |
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Moção aprovada em Outubro de 2006 pelos mesmos professores sobre a suspenção das Orientações de Leccionação do programa e o fim dos exames nacionais da disciplina. |
A nossa posição não se alterou de então para cá. As provas de exame nacionais e anónimas constituem um instrumento indispensável em qualquer sistema educativo. Pode acontecer que a sua importância em sistemas educativos com diferente grau de desenvolvimento seja também diferente. Em Portugal, dado o estado actual da educação, os exames deveriam ser um instrumento precioso e com uma importância decisiva. Essa é a nossa convicção. Porém, as recentes "evoluções" registadas neste domínio, que apontam para uma sistemática distorção dos resultados das provas nacionais no sentido de os tornar artificiosamente, interna e externamente, mais aceitáveis, vieram recordar-nos que nenhum instrumento pedagógico assegura por si mesmo, como que magicamente, resultados positivos. O que verdadeiramente importa e condiciona quaisquer resultados são as políticas e as práticas educativas. A correcção das primeiras e a competência das segundas. Como já aconteceu em múltiplas circunstâncias, os exames vieram demonstrar que, em Portugal, vigora o "princípio inverso de Midas": a capacidade de transformar o ouro em palha. Um instrumento pedagógico precioso é, assim, tornado irrelevante. A importância dos exames dissolve-se no seioi de uma encenação grotesca. O que fica, então, que possa produzir resultados positivos? Apenas o brio profissional dos docentes e o seu esforço na renovação do ensino. São eles a maior esperança de renovação do sistema. |
Filosofia na Linha: balanço do primeiro ano online |
Em relação aos objectivos que definimos em Dezembro último, quando colocámos online a nossa página, há que reconhecer que foram atingidos objectivos relevantes, designadamente do domínio da informação sobre o ensino da Filosofia na nossa Escola (docentes, manuais, sala de estudo, programas e planificações, etc.), mas que não foi possível ainda avançar, de modo significativo, na concretização de dois dos mais importantes: o primeiro desses objectivos era (e continua a ser) a divulgação de recursos bibliográficos e de materiais didácticos para uso dos alunos e partilha com colegas de outras escolas. Neste campo, não fomos mais longe do que divulgar uma bibliografia geral essencial. O segundo desses objectivos era (sobretudo na página inicial e na dos trabalhos dos alunos) dinamizar a discussão filosófica, o debate sobre o ensino da filosofia e o estado da educação em Portugal. Também aqui não fomos suficientemente longe. Apesar disso, é importante referir que o único passo dado na direcção definida, o foi por alunos. A página de filosofia da Escola de Oliveira do Bairro (QUALIA), surgida já depois da nossa, que deu passos importantissimos no sentido da divulgação de textos filosóficos essenciais para o estudo da disciplina, bem como de ensaios escritos por alunos, tornando-se desde logo num instrumento de consulta fundamental para professores e alunos. Divulgada entre os nossos alunos, o debate surgiu naturalmente quando um texto de alunos daquela escola suscitou resposta da parte de um dos nossos, texto posteriormente publicado no QUALIA, dando início a uma discussão e reflexão crítica que podem e devem ter continuação*. Agradecemos ao professor Vitor Oliveira, responsável por aquela página, o riquissimo trabalho por ele desenvolvido, bem como a disponibilidade manifestada para publicar o trabaho do nosso aluno e também para escrever, a propósito deste tipo de colaboração entre escolas, o texto que transcrevemos de seguida, que aponta claramente o rumo que devemos seguir em anos ulteriores: |
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A Filosofia é uma actividade crítica que consiste no estudo de problemas designados de filosóficos, quer dizer, de problemas abrangentes relacionados com as nossas crenças ou ideias fundamentais e que não podem ser resolvidos de forma empírica. O estudo destes problemas, muitos deles com mais de vinte e cinco séculos, permite-nos contactar com contribuidores de épocas e culturas diversas cujo esforço e inteligência tem animado as discussões. É claro que os diferentes participantes nestas discussões não estiveram empenhados em discutir as mesmas questões e é bem mais provável que tenham estado envolvidos de forma directa ou indirecta em debates mais circunscritos. |
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Quando os professores de Filosofia desafiam os seus alunos a aprender filosofia, a aprender a filosofar, estão a desafiá-los a procurarem, através da discussão rigorosa e imparcial, uma compreensão coerente e sistemática do mundo, do homem e da relação entre ambos. Estão a desafiá-los a participar em discussões que envolvem competências críticas relevantes para que sejam de facto cidadãos críticos, activos e responsáveis. Quando os professores de Filosofia decidem tornar públicas estas discussões, estão a defender a Escola e o lugar da Filosofia na Escola. E quando isso acontece, coisas surpreendentes acontecem, como por exemplo, mostrar que há jovens notáveis em todo o lado, até na Escola Pública*. Vítor João Oliveira |
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